A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)
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domingo, 22 de junho de 2014

FALANDO EM FUTEBOL, COPA E INGENUIDADES II



-- Você conhece as catacumbas? – perguntou Joãozinho ao amigo, com o qual dividia o quarto no seminário.
-- Não. Não tenho coragem – respondeu Alfredinho com franqueza, para que não restassem dúvidas de que ele jamais pretendia colocar os pés naquele lugar.
Desde que chegara ao seminário, havia dois anos, não tinha sequer ousado chegar perto da entrada e muito menos descer a escada que dava acesso ao úmido e escuro porão (assim imaginava), onde os mortos estariam repousando na paz de Deus. Achava muito estranho eles estarem ali muito próximos dos vivos.
  Não foram poucas as vezes em que acordou de noite em pesadelo, cumprindo uma caminhada por aqueles caminhos tortuosos. As urnas trancadas e o que se encontrava lá dentro? Assim, mantinha o quanto podia o mais afastado das catacumbas, de maneira que a pergunta feita por Joãozinho o pegou de calças na mão. Ele sabia que o amigo a fazia só pra provocar, pra mostrar coragem e se revelar capaz de descer aquelas escadas, se é que já não tivesse visitado algum dia os mortos.
Sabia que lá encontravam-se os corpos dos irmãos fundadores da ordem, e que no seminário a cada qual destacavam-se uma maneira de ser, prevalecendo as suas melhores atribuições, pois que ali o trabalho de dedicação era indispensável.   Ele conhecia todos pelas fotografias no livro de recordações. Tentava pela formato e expressão de cada um, dar-lhe o caráter necessário, o sentimento devido para com os alunos da instituição. E ali estavam eles, em preto e branco, nos dias de festas e homenagens, nas formaturas e despedidas, com uma postura solene, na maior das vezes.
Joãozinho, no entanto, insistiu.
-- Pensava que não tinha medo de nada…
--  Prefiro não conversar sobre o assunto – escamoteou Alfredinho, para que o amigo o deixasse em paz.
Na manhã seguinte, os meninos acordaram bem cedo como de praxe. No entanto, era domingo no seminário. Depois das orações, teriam o dia inteiro livre para fazer o que quisessem.  A maioria gostava de jogar futebol pela manhã ou ensaiar alguns movimentos de luta.  Não teriam os padres pra os espionar, de modo que a liberdade era algo que os deixava em completo estado de euforia.
  O campinho ficava próximo ao Cruzeiro, de onde se avistava o imenso rosto esculpido em pedra da montanha. Carregado de mistério, a cara enorme formada há milhões de anos, olhava para o céu. Para Alfredinho, representava algo indecifrável da mesma forma que os dogmas religiosos que entre os padres pareciam tão naturais. Se durante o dia, a caraça reinava absoluta como se estivesse dormindo num leito eterno, à noite o que assustava o adolescente eram os gemidos dos lobos na imensa floresta. Podia ouvi-los defronte à janela do quarto.
Nos jogos como nas brigas, Joãozinho sempre tinha ascendência sobre os demais meninos do seminário. O adolescente era magro, alto, moreno e de uma inteligência superior aos demais. Alfredinho o admirava, ao mesmo tempo em que  o achava esnobe, cônscio demais de sua superioridade.  O campinho, naquela manhã estava lotado, os times foram divididos, de modo que ele acabou permanecendo entre os onze jogadores,  cuja equipe adversária tinha Joãozinho na liderança.
Joãozinho continuou decidido na sua ideia de levar o amigo a conhecer as catacumbas. Houve uma aposta e o combinado foi que o time perdedor teria de encararar uma visita aos subterrâneos do Seminário, onde dormiam eternamente, como já dito, os membros da congregação. Alfredinho, desta vez, não teve outra alternativa a não ser aceitar a aposta, pois que o pior de tudo era a covardia. E temia ser vítima de chacotas Assombrava-se, no entanto, ao pensar em percorrer os labirintos estreitos e escuros que levavam aos mortos.
Ssria um jogo de vida e morte, pois ninguém queria correr o risco de enfrentar tal situação.  Se o time adversário contava com Joãozinho, como esperança de gols, a equipe de Alfredinho depositava em Josué a sua maior força.  Embora não muito inteligente nas aulas, o adolescente tinha vocação para jogar futebol. Era ágil, forte e sabia usar as oportunidades para marcar os gols.
O primeiro tempo terminou em 1 a 0 para o time adversário.  No segundo, o empate com um gol de Josué, mas foi por pouco tempo, pois a destreza de Joãozinho conseguiu superar a marca adversária. Perdiam por 2 x 1 e restavam poucos minutos para terminar a partida. No semblante dos colegas, estava estampada uma mistura de desânimo e assombro.
Que ele se lembrava nunca tinha sido um bom jogador de futebol. E por isso, Alfredinho sempre atuou na defesa, pois que não se sentia capaz de inventar jogadas e, assim, se safava da cobrança de ter que marcar algum gol. Mas naqueles minutos finais, precisava fazer algo, por ele mesmo. Foi então que correu para a pequena área do time adversário e num passe de mágica não é que a bola veio diretamente aos seus pés! Foi só finalizar um chute certeiro e evitar uma derrota vergonhosa. O time estava salvo e ele, com sua equipe, não teria mais que pagar a aposta. Pela primeira vez, se sentiu-se um vencedor. Foi cercado, abraçado  pelos colegas.
Joãozinho ainda tentou conversar. Dizer que o juiz tinha roubado… Alfredinho olhou para o amigo, notou a  revolta, e o melhor de tudo era que não precisaria enfrentar mais aquela situação absurda, pois que os fantasmas haviam sido  derrotados. Dali em diante, refugiariam-se para sempre nos túmulos de sua memória.
E foi assim que Alfredinho não precisou mais provar ao amigo qualquer espécie de coragem para visitar as catacumbas, no porão do seminário. No outro dia, os meninos mais  aliviados com a decisão dos irmãos superiores: O portão que levava aos corredores escuros, localizados nos subterrâneos debaixo dos quartos onde dormiam, estaria para sempre trancado à visitação pública.
(Trecho do livro "A caminhada ou O homem sem passado, de Roberto Nicolato - Obra "Futebol", de Cândido Portinari)

terça-feira, 27 de maio de 2014

FALANDO EM FUTEBOL, COPA E INGENUIDADES

                                Obra "Futebol", de Cândido Portinari

                                            
                                                       Guerra de Torcidas


Próximo ao rio ficava o campo de futebol. Naquele domingo pela manhã, o time da casa iria receber um visitante de peso. A pequena torcida era composta principalmente por moças e crianças. Ele, um moleque franzino, de calças curtas, se juntou ao bando e se foram a desfilar pela grama, lateral ao campo, de uniformes e bandeiras, acompanhados por uma pequena charanga, a tocar e a sinalizar nas letras de músicas conhecidas os mais desaforos em relação à torcida rival.
No meio da pequena multidão, um rosto se destacava. Era Marcela, já na adolescência, com seu rosto provocativo, marcado por sardas e os olhos verdes que mais lembrava Babi, uma gatinha arisca que vivia no povoado.
Marcela empunhava a bandeira verde e branca do Independente Futebol Clube, o suor escorria pela blusa amarrada na cintura por um nó, e os seios durinhos a lhe provocar, assim como as pernas torneadas que se moviam com vigor por debaixo da minissaia.
-- Vamo pra cima deles! Dizia com ferocidade, apanhando em todo o espaço em que havia muchibas de laranja para assustar a torcida adversária. Precisavam saber que eram do mato e eles da cidade e, por isso eram, por sorte do destino, mais animais e, portanto, mais fortes.
A guerra de muchibas e de palavrões foi declarada. O que lhe movia era algo instintivo e não quis saber naquele momento em quem estava do lado de lá, a não ser o inimigo. Como nos soldadinhos de chumbo.  No campo, o jogo também esquentava. José Adauto jogava muito pelas pontas, Danilo tinha um chute forte e certeiro e Antônio Carlos era o melhor do time, pois que driblava com astúcia e sabedoria.
Tinham até uma trilha sonora para embalar a torcida. Coisa pra irritar, mesmo. Quando do primeiro gol do time da casa, a euforia tomou conta de todos, assim como as provocações, o que irritou ainda mais a torcida adversária.  E não sem hora, a confusão engrossou, com palavrões, e foi quando Marcela, que avançava na frente como uma guerreira,  recebeu na cabeça uma pedrada.
A menina não percebeu de imediato, até que o sangue verteu quente pelo rosto, entre os cabelos e a boca. Sentiu-se fora da luta e foi então que todos começaram a dar conta de que se tratava mais do que uma inocente briga de torcidas.
Marcela foi resgatada do chão por vários braços, carregada num ritmo veloz, que foi abrindo caminho na multidão até ser instalada dentro de um jeep. Ele olhou seu rosto  ensanguentado e não se esqueceu jamais daqueles olhos verdes e febris. Dali,  ela foi levada ao hospital da cidade mais próxima.
Voltou para casa no mesmo dia, ainda mais bonita, com o curativo na cabeça, sinal de luta e heroísmo. Estava feliz e isso ele pôde ver nos seus verdes olhos. O Independente sofreu muito, lhe disseram, mas venceu com garra e talento um time de peso da segunda divisão.
(Extraído do livro "A caminhada ou O homem sem passado", de Roberto Nicolato)




quarta-feira, 23 de abril de 2014

Lançamento de A Caminhada ou O homem sem passado

O professor, jornalista e escritor Roberto Nicolato lança nesta quinta-feira (24/04), a partir das 21 horas, o romance de viagem "A caminhada ou O homem sem passado", na Universidade Positivo (Bloco azul). O evento ocorrerá após a abertura do 15o Encontro Nacional de Professores de Jornalismo e integra a sessão de lançamento de mais sete livros, todos de autoria de jornalistas e professores de várias regiões do Brasil. Veja no link a seguir  a relação e sinopse dos livros: : http://www.fnpj.org.br/noticia/15enpj-tera-lancamento-de-oito-livros-na-noite-de-abertura-867.


sábado, 15 de março de 2014

SEMPRE UMA DESPEDIDA


Por um instante, meu rosto espelhou-se na fonte. Era o de um adolescente quase adulto e tinha um ar de despedida. Esta tinha sido a minha sina. Sempre a despedida. E a imagem projetada, aos poucos, me levou novamente ao seminário, onde um rapaz solitário observava atônito, primeiro uma fina fumaça, e depois as labaredas tomarem conta do prédio imponente da biblioteca. Não podia imaginar a destruição de todo aquele patrimônio cultural e do local onde passara muitas horas perdido em reflexões filosóficas ou viajando nas histórias dos romancistas. Não havia mais o que fazer e já era tempo de tomar novos rumos na vida” (Trecho do meu livro "A caminhada ou O homem sem passado" - Foto: Roberto Nicolato)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

EM ESTILO GÓTICO


Era Lídia quem eu mais queria naquele momento, diante do fogo, em meio ao ensaiar de passos e de uma cantoria sem fim. As valas profundas, abertas, recebiam comidas e bebidas, destinadas à deusa, para que assim ela pudesse atender aos pedidos. Chamei Lídia em voz alta, gritei o mais que pude, até que seu corpo surgiu à minha frente e maliciosamente me convidou a trilhar uma estrada estreita de boa terra, de onde avistei casas esparsas, rodeadas de bambuzais e bananeiras, e lá longe, mais à frente, uma montanha lilás, banhada pela luz do sol. As árvores foram aos poucos se afastando e, à medida em que avançávamos, o grande paredão de formas sinuosas trouxe aos pés uma igrejinha em estilo gótico, cercada por um casarão...” (Trecho do livro "A caminhada ou O homem sem passado" - Foto de Roberto Nicolato)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um poema para o blog teorias e prosas



OUTONAL
  
Quando no outono, a tristeza desse coração desfolha,
Lembre-se de cortejar o sol, o corpo nu,
para que se cumpra a promessa.

As abelhas mirins virão a nós, na preguiça dos dias.
“É tudo em vão”, dirá a flor ao bicho que se espreguiça.

“Que o universo desse amor
seja o caminho de árvores,
 veredas e buritizais”.

Dorme no outeiro o coração do homem que duvida.
É tempo de espera, de recolhidas adivinhações.
Na solidão da floresta, densa é a noite, 
melancólica a visão do dia.

Um jaboti assovia uma canção de ninar:
“Dorme nos meus braços
a flor violeta dos manacás”.

É tempo de resinas e caules nus, vidas secretas
Do caracol ensimesmado na carapuça.

As abelhas mirins fecham-se no tronco de uma palmeira.
Deixe que a lua projete a sombra dos mares.
Desenhe um arco-íris na Garganta do Diabo.
Essas são as águas com que fazes a prece.
O orvalho com o qual inauguras todas as manhãs.

Molhe-o com teu rosto, ensine o perdão.
Não há mais tempo para o amor tardio.
A encenação das aves, inclinadas ao vento.
Recolhe-se o lagarto, o camaleão nas tendas.
O coração que se resguarda na carapaça
Para que o tempo se cumpra, outonal.

                                         Poema de autoria de Roberto Nicolato - Curitiba/PR
                                         (Fotos: Roberto Nicolato)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Como foi o lançamento na Livrarias Curitiba

O jornalista e professor Roberto Nicolato lançou ontem (20/11), na Livrarias Curitiba, Shopping Estação, o seu primeiro romance "A caminhada ou O homem sem passado" (Editora Blanche). Num bate-papo com amigos, alunos e jornalistas, ele contou sobre o processo de produção do livro e os novos trabalhos que estão em andamento. Fotos de Cláudia Bilobran.






terça-feira, 12 de novembro de 2013

As águas do Titicaca


"Depois de quase uma hora de viagem, o barco foi se aproximando de uma zona ainda escura, porém pontuada por luzes e foi então que percebi que estava chegando ao último reduto do povo inca, que sobreviveu ao período de colonização espanhola. O meu pé adiantou-se para fora do barco, tentei em vão algo para apoiá-lo, e percebi que ao primeiro passo iria me afundar".
(Trecho de "A caminhada..."- Foto: Roberto Nicolato)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Um poema para o blog teorias e prosas


OROBORO


“É preciso que se
Cumpra um círculo.
Que aberto vá  se fechar,
Que ao frio ao fogo aquece
Essa caminhada para
O fim do começo
Até o infinito.

É preciso que se liguem
 os pontos negros,
preencha o vazio.
Que ao sol se queima
Essa jornada ao deus
Ante o indefinido.

Um círculo que abre e fecha,
Como fases fugidias
De ondas que deixam e levam
Marfins, jóias falsas,
Arlequins flutuantes.
Que faz entrever o horizonte
O passado em brancas
Nuvens, como na fotografia.

Um círculo que se alastra.
Do tamanho apenas
Desta história,
No pretérito passado dos
Olhos vidrados.
Ao céu do Equador,
As luas de Orizon
Fervilham nas galáxias.
Em sinuosa alegoria,
Passam os pássaros de fogo.

É preciso que se cumpra,
Um  círculo que se abre
À memória do réptil ancestral.
Deixe entrevê-lo nas entranhas.
E se fechar ao mundo,
Que é seu próprio universo,
Como o oroboro,  para que
Nada chegue ao fim.

Um círculo que arde em fogo.
É preciso que se cumpra
Um círculo, que aberto
  se fechar,
Que frio ao fogo será lançado,
Para que queime e eternize,
Nas vagas refletidas,
A memória do tempo.
-- Um rosto apenas".

Poema inédito de Roberto Nicolato

O livro "A Caminhada..." será lançado na Livrarias Curitiba

O jornalista e escritor Roberto Nicolato lança, às 19h30, no próximo dia 20 (quarta-feira), o livro "A caminhada ou O homem sem passado" nas Livrarias Curitiba, no Shopping Estação. O primeiro romance do autor conta a história de um professor que vai em busca do seu passado ao percorrer as trilhas de civilizações pré-colombianas, no altiplano boliviano e nas cidades sagradas do Peru.  Essa volta no tempo, na medida em que o corpo avança pelo universo geográfico dos Andes, entre vales, montanhas e picos nevados, constitui-se num pleno exercício de memória, para que, assim, o personagem/narrador possa buscar o auto-conhecimento e a própria identidade.

Para saber mais:

http://www.entreverbos.com.br/?p=2909

sábado, 2 de novembro de 2013

Um livro para a Tuboteca de Curitiba

                                  
Estação-tubo da Praça Rui Barbosa, em Curitiba
                                                        

"As tubotecas funcionam nas estações-tubo do transporte coletivo de Curitiba. Uma maneira interessante de incentivar o hábito da leitura e também a prática do compartilhamento. Não há controle sobre empréstimo e devolução. O que vale é a consciência e responsabilidade de milhares de leitores anônimos da capital paranaense". (Foto: Claudia Bilobran)

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Lançamento de "A caminhada..." na Biblioteca do Uninter em Curitiba





O  jornalista e professor Roberto Nicolato lançou ontem  (30/10) o livro "A caminhada ou O homem sem passado", na Biblioteca do Centro Universitário Uninter  (Campus Tiradentes),  em  Curitiba. O evento fez parte da programação da Saca Só, a Semana de Comunicação, organizada pelos alunos de Jornalismo e Propaganda, Publicidade e Marketing. A conversa foi mediada pelo jornalista e professor do Uninter, Valdir Cruz.

Num bate papo com alunos e docentes, ele abordou temas como o seu processo de criação literária, o uso da internet para divulgação e interatividade com o leitor, além da utilização da interxtualidade presente no romance "A caminhada ou O homem sem passado".


Começo de conversa
"Nada como lançar um livro numa biblioteca. Temos que valorizar esses espaços destinados à leitura, ainda pouco comuns em várias regiões do Brasil"


Interatividade
"A internet é o meio onde a literatura abre um canal de comunicação muita próxima com o leitor. Às vezes, a narrativa da vida pessoal do autor se confunde com o seu trabalho de ficção e imaginação, mas isso não é nenhum problema desde que resulte em boa literatura".

Linguagem
"Acredito que cada autor deva buscar o seu estilo, nem sempre sendo original. Literatura é enredo, digressões, detalhamentos, mas é sobretudo linguagem. Cada frase tem um ritmo, melodia. É preciso combinar bem as palavras para que não doam os ouvidos".


Intertextualidade
"Henry Thoureau, Basho e Hermann Hesse são autores que retratam, de modo singular, a figura do caminhante, do andarilho, ou digamos do homem menos consumista e sua relação para com a natureza. Essa relação é retratada na vida de um escritor que decide morar numa cabana, às margens de um lago; percorrer um longo caminho até o Monte Fuji, no Japão, ou subir montanhas para avistar os vilarejos com seus chaminés de fumaça".

Fotos: Fran Bubniak

sábado, 12 de outubro de 2013

Autoconhecimento e trabalho


“Nessa trilha,  juntam-se jornada de autoconhecimento e trabalho. A procura de uma compreensão mais profunda da existência e um mundo já dado como suportável. Calço sandálias confortáveis, seguindo o traçado do Rio Urubamba, entre cordilheiras e picos nevados. Talvez antes de mim, o Urubamba chegue por baixo, enredando-se aos pés das montanhas onde se encontra Machu Picchu — destino final desta viagem — até desaguar mais abaixo no Amazonas. Eu tomarei outro rumo, mais em direção ao alto das  montanhas, até alcançar a Porta do Sol, não sem antes beijar os céus numa altitude de 4,2 mil metros. Imagino que tudo não passe de um sonho”.                                             (Foto: Roberto Nicolato)