1980 - mg
A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
quinta-feira, 26 de junho de 2014
METAMORFOSE
A metamorfose é um processo
De mudança do ser para o não ser,
Do ontem para o amanhã,
Do nada para o agora
Travestido de novo.
A metamorfose ocorre
Durante a passagem
Dos raios luminosos,
De um vago pensamento,
De lapsos, vôos incertos.
O corpo se transforma.
Os músculos, novos, exaltam
E a conformação corpórea
Rompe o mundo antigo
Crisálida que se aflora,
Prateada de cor
A quem se olha...
Não é propriamente
Um descaminho
Essa procura que não se acha
Esse novo de eterna maravilha
Esse ganho de perdas.
A metamorfose é uma
Meta(mor), fóssil cheio
De cores, feições e jeitos
Uma nova forma prevista,
Que surpreende por ser nova,
Única e indiferenciada.
A metamorfose da
Borboleta-coruja,
Lepitoptera, foi
Observada
Pelos botânicos em
Todo o país ou quase.
O camaleão que refestela
Ao sol dos trópicos ou
A visão do acaso numa noite
De lua
é pura metamorfose.
Ela está suspensa no vento,
No galho de manacá roxo
Na folha da roseira.
Não há sol no azul que a
Surpreenda, essa forma de vida
Que se entrega ao mundo
Para seguir o que se determina,
E que ela em formas refaz.
(Poema e foto de Roberto Nicolato)
O JARDIM JAPONÊS
Pedras disformes se chocam.
Seixos. De musgos, se alimentam.
Brincam entre cubos, pirâmides,
os círculos de fogo...
Árvores, gêmeas, germinam
entre boninas e lírios brancos.
A água goteja em planos descendentes!
Longe se ouve a aranha tramando...
O espinafrar de asas, incertas.
Frágil é o jardim para o desavisado pássaro.
Ele invade territórios, o ninho das orquídeas.
Cerejeiras estão em flor!
É primavera no coração de Bashô!
O sapo salta fora d’água
Torvelinhos se formam...
O rio se enche de “barrigudinhos”.
A água escorre, o rio-tanque, estanque
O pequeno Buda brinca de esconde-esconde.
aos olhos de quem o oriente:
No jardim de formas sinuosas
De desenhos geométricos,
tímidas bromélias
brincam entre bonsais.
Nele a natureza faz festa:
Bate o tambor:
acorda a floresta,
ao som do taikô!
(Poema de Roberto Nicolato - Obra "Jardim Japonês", de Claude Monet)
segunda-feira, 21 de abril de 2014
BÓRIS
De que é feita
a imagem
de Boris,
se não de amor
incomunicável,
em sua estátua
de silêncio.
De pelo macio,
Suave é a sua
compleitura.
Um laço xadrez
o prende ao
pescoço,
pronto a abraçar
quem o procura.
De que é feita
a imagem de Boris,
se não de uma
luta, invisível,
entre amor
e morte.
Se pudesse
Dar-lhe a fala.
Olhar resoluto;
virilidade para
impor ao
mundo a sua
doce luxúria.
Arrisca um passo
Sobre Baudelaire,
Descontraído
sobe, derruba
a pilha,
apanha Machado.
os sertões de
Guimarães.
De que é feita
a imagem de Boris,
senão de um
afeto antigo,
presenteado,
imagem
de barro e chuva.
Do chamado da
natureza, que
Para sempre
Deixou.
De que é feito Boris,
que sozinho
no quarto
se perpetua:
essa imagem de bicho
mirando a sua.
Poema de Roberto Nicolato
Poema de Roberto Nicolato
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
A AVE
(Para Baudelaire)
Atravessa o nevoeiro, estira-se ao sol
Para se aquecer aquela que um dia
Perdeu o dom de voar e, desajeitada,
Bate pesadas asas, aflita.
Repousa nas cordas da embarcação,
Flexionando o dorso nu, num rompante
De mistério, de tão apaixonada
Ela que ao léu estava, triste amante!
Voz fúnebre da noite fria
Agora contorce, volta-se ao mar
Se ergue, aflita, do açoite.
As ondas vão, voltam. Balanço das velas.
Esperou esse dia para mergulhar, a ave
Que agora brilha, e era o sonho do mal.
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