Obra de 2003 marca uma nova verve na trajetória do vampiro de Curitiba.
A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 7 de junho de 2019
COPACABANA ME ENGANA
"E depois: “Que fim levou a Marcinha”, perguntou sem que os filhos ouvissem e a lembrança os levou ao Cine Drive In, nos anos 70, no Rio de Janeiro. “Lembra, passava Copacabana me Engana. Eu você, Elena e Marcinha, que era louquinha de tudo. Na volta, ela vinha imitando a Odete Lara, cantando "Baby" e “Try a little tenderness”, no fusquinha azul. Fiquei com a Marcinha naquela noite...”, disse Elias convencido e ciente de que agora era um homem de família, filiado
a um partido e artista cooptado pelo Estado".
Do romance "Havana me engana"
domingo, 2 de junho de 2019
DO OUTRO LADO DO CARIBE (André IV)
"Não havia mais o que perguntar. André deixou o local. Ela não o havia esperado o bastante, talvez nem o amasse tanto. Realmente, a vida naquela época não estava nada fácil para os cubanos.
Teria sido melhor assim, pois isentava-se do atroz sentimento de culpa. Chegou até o Malecon, observou o mar tranquilo, a vida que seguia sem pressa. Caminhou pela passarela, Havana era apenas uma cidade sem cor. Não havia mais o que buscar. Ela era outra, agora vivendo do outro lado do oceano. Se pelo menos, estiver feliz..."
Do romance "Havana me engana"
Fotos: Roberto Nicolato
terça-feira, 30 de abril de 2019
LEON NA SANTERIA (Leon IV)
Do livro "Havana me engana?"
Fotos: Roberto Nicolato
quarta-feira, 17 de abril de 2019
ENCONTRO MARCADO (León IV)
"Leon dirigiu-se à varanda do Hotel Comodoro. O sol declinava no mar do Caribe, lá embaixo um cocotáxi dividia espaço com uma carruagem levando turistas. O Malecon formigava no fim de tarde. Da sacada, ele podia avistar o Hotel Nacional, o Meliá e até mesmo a embaixada dos Estados Unidos, tendo à frente as bandeirinhas negras tremulando. Observou os terraços dos prédios carcomidos na área central, pontuados por alguma parede esverdeada ou roupas estendidas nos varais. Um homem moveu-se rapidamente por um corredor e Leon se deu conta de que havia marcado de encontrar Anna e Giuliano. Antes, ia pegar Elias e André no Centro das Artes".
Fotos: Roberto Nicolato
HEMINGWAY, COLECIONADOR DE HISTÓRIAS (Giuliano IV)
"Giuliano se desvencilhou e lhe beijou suavemente a testa.
-- Temos que ir – apressou.
Dentro do táxi, Giuliano ainda vislumbrou o Pilar atracado num Galpão perto da piscina de Hemingway. Estava bem conservado e não era mais que uma relíquia de um colecionador de histórias e vidas. Dentro, o velho capitão dava repetidas baforadas no charuto. Percebeu Giuliano e, do convés, acenou, enquanto o Bel Air 1947 contornava as alamedas, deixando silenciosamente para traz a Finca Vigía".
Do romance Havana me Engana
Fotos: Roberto Nicolato
sexta-feira, 22 de março de 2019
A ESSêNCIA DO TRÁGICO (Giuliano IV)
"Giuliano puxou uma das cadeiras, sentou, encostou o rosto na mesa e sonhou o mesmo sonho, recorrente, daqueles que um dia desertaram de sua terra, os chamados homens condenados ao desterro, e Hemingway era um deles, queria sim classificá-lo, ele que era um homem de poucas lidas, recolhido à sua mansarda, o designava como um macho sedutor, um homem de duas faces, num tempo em que só eram concebidas a perfeição e o desregramento; ele era a própria essência do trágico, Apolo e Dionísio. No fundo, um herói de si mesmo, um homem qualquer. Ou como gostaria Anna..."
Do livro "Havana me engana"
Fotos: Roberto Nicolato
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