A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)
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quarta-feira, 17 de abril de 2019

ENCONTRO MARCADO (León IV)






"Leon dirigiu-se à varanda do Hotel Comodoro. O sol declinava no mar do Caribe, lá embaixo um cocotáxi dividia espaço com uma carruagem levando turistas. O Malecon formigava no fim de tarde. Da sacada, ele podia avistar o Hotel Nacional, o Meliá e até mesmo a embaixada dos Estados Unidos,  tendo à frente as bandeirinhas negras tremulando. Observou os terraços dos prédios carcomidos na área central, pontuados por alguma parede esverdeada ou roupas estendidas nos varais. Um homem moveu-se rapidamente por um corredor e Leon se deu conta de que havia marcado de encontrar Anna e Giuliano. Antes, ia pegar  Elias e André no Centro das Artes".

Do romance Havana me Engana
Fotos: Roberto Nicolato

domingo, 24 de fevereiro de 2019

E O CHE LHE SORRIU (Leon III)

"Leon observava os turistas, os quais jamais deixariam a ilha sem posar para a tradicional foto, tendo a enorme figura de Che Guevara estampada ao fundo, em estrutura de ferro, em toda a fachada de um prédio público. Quis chegar mais perto, o guarda diz que não era pra se aproximar demais, pois ali era uma área de segurança. Ele mesmo, Leon, também fez pose. “Elias venha um pouco mais pra cá com a máquina, pra que saia na foto ‘Hasta la vitória siempre’” e Che pareceu lhe sorrir, tendo embaixo um guarda carrancudo e impassível, já acostumado ao que há décadas se passava em frente ao local."

Foto: Roberto Nicolato

NO MEMORIAL JOSE MARTÌ (Leon III)






"Algum tempo depois, o táxi deixou os dois amigos na extensa Praça da Revolução e Elias convidou Leon para visitar o Memorial José Martí, poeta e herói da independência cubana. Lá dentro, estava sendo contada, numa exposição de cartazes, as conquistas dos socialismo nos 50 anos da revolução, comemorada naquele ano de 2009. Os amplos salões surgiam na arquitetura moderna e nas fotos via-se a Praça da Revolução tomada pelos cubanos no dia da vitória, o passo a passo da revolução, as poesias e a luta de José Martí, ainda no século XIX. E depois o quetzcoal, numa versão empalhada. Que pássaro lindo! O que estaria fazendo ali?"

Fotos: Roberto Nicolato

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

CAMINHANDO PELA OBISPO (Giuliano III)


"Era uma manhã de sol, o calçadão da Obispo fervilhava, com o intenso trânsito de pedestres, o comércio não tão clandestino assim de charutos, venda de comidas de rua, bebidas coloridas, artesanais, bugingagas e lojas onde se emparedavam jovens com celulares tendo ao fundo as marcas Adidas e Via Uno. Era inacreditável: formavam pequenas células capitalistas de consumo, fora ainda do alcance financeiro da grande maioria dos nativos da ilha... Eram, sim, ícones, pequenas recordações do mundo do capital para instantes de deleite dos turistas. Um registro para a sua inseparável Canon".

Do livro "Havana me engana"
Fotos: Roberto Nicolato