A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)
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sexta-feira, 7 de junho de 2019

COPACABANA ME ENGANA



"E depois: “Que fim levou a Marcinha”, perguntou sem que os filhos ouvissem e a lembrança os levou ao Cine Drive In, nos anos 70, no Rio de Janeiro. “Lembra, passava Copacabana me Engana. Eu você, Elena e Marcinha, que era louquinha de tudo. Na volta, ela vinha imitando a Odete Lara, cantando "Baby" e “Try a little tenderness”, no fusquinha azul. Fiquei com a Marcinha naquela noite...”, disse Elias convencido e ciente de que agora era um homem de família, filiado 
a um partido e artista cooptado pelo Estado". 

Do romance "Havana me engana"

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

NAS RUAS, SEM DIREÇÃO (André)


"Já era noite quando André e os dois jovens deixaram o restaurante. Pegaram a San Lázaro, às escuras, vultos caminhavam sem direção, André nunca havia se visto num universo tão distante do seu. “Você vai na frente, certa distância da gente. Vamos pegar um taxi”, instruiu Juan e os dois jovens se separaram de André, que caminhou sem muita segurança no breu, pelas ruas sujas, esburacadas, até que o táxi parou ao seu lado e ele entrou no banco traseiro de um Chevrolet anos 50, se acomodando ao lado de Juan. Miguel ia na frente com o motorista.

-- Pra onde estamos indo? – quis saber
-- Você vai ver, é uma surpresa – respondeu Juan."

De "Havana me engana"

Foto: Roberto Nicolato

sábado, 15 de dezembro de 2018

BUSCA SOLITÁRIA (Leon)



"Por toda parte, o velho Fidel ainda estaria espreitando ou sendo espreitado, à caça ou sendo caçado; chegou mesmo a pensar num velho solitário sentado em sua mansarda, de uniforme da Adidas, sem muito o que fazer a não ser observar o movimento das árvores, o caminho do sol numa tarde de verão. Tinha força, mas não era mais o presidente cubano, revolucionário, capaz de proferir por quatro horas um discurso vigoroso e rasgado na Assembleia da ONU, em Nova Iorque...  O desejo de Leon era ver de perto a figura do comandante".                                                                                                                                                      Havana me engana

Foto: Roberto Nicolato

A arte imita a vida (Giuliano)



"...e Giuliano deparou-se com o quadro na parede, uma gravura, mera ilustração ou charge, e no centro o gentil e mimado Mickey Mouse, num traje de bolinhas; o coitadinho acossado por uma multidão de pequenos ratos furiosos e vingativos. Puro descompasso se comparado ao requinte das mesas, o lustroso chão de mármore, enfim, o estilo neoclássico do Inglaterra. A vida em Cuba era mesmo engraçada!"

                                                                                 Do livro Havana me engana