A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)
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terça-feira, 12 de março de 2019

OFÍCIO, SONHO E OBSTINAÇÃO (Leon III)

"O táxi estacionou numa rua pouco movimentada, guardada por soldados. Ao longe um homem velho, de barba, de uniforme Adidas, caminhava com seguranças ao lado. Não tinha mais o sorriso e alegria dos tempos revolucionários. Caminhava encurvado como por ofício, fizera tudo por ofício, sonho e obstinação. Erros e acertos. A vida toda dedicada a um ideal, custasse o que custasse, o herói abatido pelo curso da vida, incólume ao inimigo, seria preciso se sacrificar para manter viva uma chama, e era justamente o que aquele homem pensava. Nem todos estiveram dispostos a acompanhá-lo na empreitada. E assim girava a máquina do mundo, essa máquina social azeitada e, para Leon, a felicidade lhe pareceu novamente como uma simples questão de referências".  

Do romance "Havana me engana"
Foto: Roberto Nicolato

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

NAS RUAS, SEM DIREÇÃO (André)


"Já era noite quando André e os dois jovens deixaram o restaurante. Pegaram a San Lázaro, às escuras, vultos caminhavam sem direção, André nunca havia se visto num universo tão distante do seu. “Você vai na frente, certa distância da gente. Vamos pegar um taxi”, instruiu Juan e os dois jovens se separaram de André, que caminhou sem muita segurança no breu, pelas ruas sujas, esburacadas, até que o táxi parou ao seu lado e ele entrou no banco traseiro de um Chevrolet anos 50, se acomodando ao lado de Juan. Miguel ia na frente com o motorista.

-- Pra onde estamos indo? – quis saber
-- Você vai ver, é uma surpresa – respondeu Juan."

De "Havana me engana"

Foto: Roberto Nicolato