A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)

sábado, 15 de dezembro de 2018

NA TROCADERO (Leon)



"-- Esse aqui muchacha -- E indicou um entre muitos quadros feitos com espátulas em cores vibrantes. O vermelho e o amarelo, o chevrolet se desintegrando naquele calor do mês de julho na Trocadero.  Era uma cena de rua, com um ciclotáxi ao fundo e gente encostada nos umbrais dos prédios coloniais. Coisa de cubano. Singular. O mesmo escolhido por Leon.-- Representativo. Uma arte pura entre as demais – Leon aplaudiu a escolha do amigo, se dirigindo a  Anna, agora aceitando sem muita convicção."

                                                                                                 
                                                                                                                                       Havana me engana

A arte imita a vida (Giuliano)



"...e Giuliano deparou-se com o quadro na parede, uma gravura, mera ilustração ou charge, e no centro o gentil e mimado Mickey Mouse, num traje de bolinhas; o coitadinho acossado por uma multidão de pequenos ratos furiosos e vingativos. Puro descompasso se comparado ao requinte das mesas, o lustroso chão de mármore, enfim, o estilo neoclássico do Inglaterra. A vida em Cuba era mesmo engraçada!"

                                                                                 Do livro Havana me engana
                                             

domingo, 25 de novembro de 2018

DO PESCADOR (Giuliano)


"O tempo quente, um barco movimentava lento no infinito e, na lente, Giuliano focou o velho e sua rede de pesca. Foi quando se deu conta: “sou um homem nos quarenta, com mais perguntas que respostas, andando por uma estrada de terra... Queria ter o coração apaziguado de um pescador. De todos os homens, o pescador é o que mais se adequa ao tempo da espera. A espera do peixe invisível a morder a isca e ser capturado como um prêmio à paciência"
                                                                              Do livro "Havana me engana"
Foto: Roberto Nicolato

NO MALECON (Giuliano)


"O Caribe, pensou Giuliano, era o mar de Hemingway. Ele viveu em Cuba entre os anos de 1939 e 1960. Queria entender, de verdade, o que o levou à ilha, depois de deixar o seu país natal, os Estados Unidos, e a Europa, sobretudo a glamourosa Paris. Há algo nas biografias que foge ao nosso entendimento sobre o autor. Os seus silêncios, os medos, as prisões... Hemingway havia embarcado na ilusão dos trópicos, no hedonismo de uma ilha paradisíaca, cruzando o Caribe, a bordo do Pilar. Vivendo na companhia de intelectuais e pescadores, homens do mar".
                                                                                    Do livro "Havana me engana"
Foto: Roberto Nicolato

terça-feira, 20 de novembro de 2018

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

DESFAÇATEZ



A desfaçatez acontece até mesmo na natureza.
Plantas que se travestem de outras mais exuberantes e bem quistas.
E vão tomando o lugar de outras e, quando arrancadas, deixam para trás seus miudinhos para que possam germinar, crescer até que serão arrancados novamente.
Tiveram tempo e lugar é o que lhes importa, para tecer o seu fio de existência, nem que seja para os seus e para o desagrado dos belos olhos dos homens.
Foto: Museu de Arte de Cuba
Roberto Nicolato

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Romance em e-book participa do Prêmio Kindle

O escritor e jornalista Roberto Nicolato é um dos participantes do 3o Prêmio Kindle de Literatura, com o romance em e-book "Havana me Engana" 


Trata-se do terceiro romance do escritor e jornalista mineiro, radicado em Curitiba (PR), Roberto Nicolato. A obra conta a história de três personagens que desembarcam na ilha caribenha em busca de uma paixão antiga, literária, existencial e revolucionária. A história se passa no verão de 2009 quando Cuba comemora os 50 anos da revolução socialista. Giuliano Ferraz, escritor e professor de literatura, vai seguir as pegadas de Hemingway em Havana, com um olhar fotográfico e humano; o jornalista Leon Soares vai no encalço do comandante Fidel Castro e se apaixona pela jovem Anna, estudante argentina em Cuba, que o faz recordar a ex-mulher Elena que havia cometido suicídio no Brasil e, por fim, o hedonista André Celipeto deseja encontrar Mercedes, a bailarina da legendária casa de show Tropicana, por quem viveu um romance tempestuoso nos anos 90. A narrativa, estruturada como um jogo de armar, é marcada por encontros e desencontros dos personagens pelas ruas de uma cidade vivaz, sensual e desafiadora . Numa narrativa ágil e ao mesmo tempo poética, o autor nos leva a refletir sobre o papel da figura dos heróis na contemporaneidade e o sentido da vida como desejo ou forma de contemplação. Conseguirão os personagens concretizar o propósito de suas buscas? Roberto Nicolato é mestre e doutor em literatura pela Universidade Federal do Paraná. Autor de outros dois romances: "A caminhada ou O homem sem passado" (Editora Blanche) e "Do outro lado da rua" (Kotter Editorial). Parte do e-book "Havana me engana" pode ser acessado no loja Kindle, pelo site da Amazon.com.br.

 Foto Capa: Roberto Nicolato