A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)
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sexta-feira, 5 de junho de 2015

ALUMBRAMENTO




Revelo esta paisagem,
a cachoeira de topázios imperiais,
onde se instala coração animal
que visita. Dono de trilhas.
A lua que mostro é uma rede
fiada de finos fios,
como um véu de noiva.
Revelo palmeiras, buritis.
Aqui, o Deus da Mata…
Ali, uma pequena cascata de
diamantes. Amantes, eu revelo
este sol (guia dos passos),
esta formação de carbonato.
Esta água, em que
desenhas - pedras primitivas.
O velho rio que renova.
E agiganta no teu corpo, ao banhar.
Eu revelo a cor marrom, amarela,
pedras que não medram.
Esse reino antigo.
O ouro que habita,
este chão de vespas.
Estes pássaros são seus
E estas nuvens arredias.
Eu revelo a natureza,
revolta deste rio…
para mergulharem, amantes,
teus corpos aderirem ao sal,
                 empedrarem.


Poema e foto: Roberto Nicolato




domingo, 31 de agosto de 2014

IBITIPOCA




Esta paisagem singular
Deixou um rastro de vida
Flor que é saudade,
Cristais nos olhos,
Veredas que a tudo anima.

Ali, ao batismo da
                         água pura.
Na irmandade dos peixes
O corpo sereno na correnteza.
                           seguiu
A alma insaciável na
                        paz dos dias.

Nesta natureza que é templo.
Onde Narciso dá de comer
                        aos lobos.
Onde a flor dos manacás
                        se oferece.
Ali verti os ares como o
                   grande pássaro
A tudo que nascia.
Bromélias na árvore seca.
Amores imperfeitos em
                 trilhas infindas.
Eu que  aos mares viajei.
Que nas cidades vivi o
                 inferno dos dias.
Branca lua saudou-me,
E o rio como um vulto,
                 que insinua.

Na cachoeira, como turbilhão,
Lágrimas verteram,
Banharam as aves
Inclinadas ao vento.
A saudade abriu-se em flor.
O mundo em mistérios.
E, assim, atravessamos a
Branca estrada de quartzos.
Milhões de pequenas pedras.
Retangulares, redondas...
Em teus olhos refletiam
Só a lua, agora,
Em nossa companhia.
(Poema e foto de Roberto Nicolato)