A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

REBELDIA (Leon)


-- Te quiero porque su boca sabe gritar rebeldia – sussurrou a frase de Benedetti. De repente, Anna retornou de seu mundo e Leon parecia feliz, embora constrangido. Ela teria ouvido? O táxi estacionou em frente ao Paladar e Leon sentiu que algo maior o ligava àquela moça simples, argentina, estudante de medicina em Havana. Ou seria mais uma de suas obsessões?
                                                                                             Havana me engana
                                                             

sábado, 15 de dezembro de 2018

BUSCA SOLITÁRIA (Leon)



"Por toda parte, o velho Fidel ainda estaria espreitando ou sendo espreitado, à caça ou sendo caçado; chegou mesmo a pensar num velho solitário sentado em sua mansarda, de uniforme da Adidas, sem muito o que fazer a não ser observar o movimento das árvores, o caminho do sol numa tarde de verão. Tinha força, mas não era mais o presidente cubano, revolucionário, capaz de proferir por quatro horas um discurso vigoroso e rasgado na Assembleia da ONU, em Nova Iorque...  O desejo de Leon era ver de perto a figura do comandante".                                                                                                                                                      Havana me engana

Foto: Roberto Nicolato

NA TROCADERO (Leon)



"-- Esse aqui muchacha -- E indicou um entre muitos quadros feitos com espátulas em cores vibrantes. O vermelho e o amarelo, o chevrolet se desintegrando naquele calor do mês de julho na Trocadero.  Era uma cena de rua, com um ciclotáxi ao fundo e gente encostada nos umbrais dos prédios coloniais. Coisa de cubano. Singular. O mesmo escolhido por Leon.-- Representativo. Uma arte pura entre as demais – Leon aplaudiu a escolha do amigo, se dirigindo a  Anna, agora aceitando sem muita convicção."

                                                                                                 
                                                                                                                                       Havana me engana

A arte imita a vida (Giuliano)



"...e Giuliano deparou-se com o quadro na parede, uma gravura, mera ilustração ou charge, e no centro o gentil e mimado Mickey Mouse, num traje de bolinhas; o coitadinho acossado por uma multidão de pequenos ratos furiosos e vingativos. Puro descompasso se comparado ao requinte das mesas, o lustroso chão de mármore, enfim, o estilo neoclássico do Inglaterra. A vida em Cuba era mesmo engraçada!"

                                                                                 Do livro Havana me engana
                                             

domingo, 25 de novembro de 2018

DO PESCADOR (Giuliano)


"O tempo quente, um barco movimentava lento no infinito e, na lente, Giuliano focou o velho e sua rede de pesca. Foi quando se deu conta: “sou um homem nos quarenta, com mais perguntas que respostas, andando por uma estrada de terra... Queria ter o coração apaziguado de um pescador. De todos os homens, o pescador é o que mais se adequa ao tempo da espera. A espera do peixe invisível a morder a isca e ser capturado como um prêmio à paciência"
                                                                              Do livro "Havana me engana"
Foto: Roberto Nicolato

NO MALECON (Giuliano)


"O Caribe, pensou Giuliano, era o mar de Hemingway. Ele viveu em Cuba entre os anos de 1939 e 1960. Queria entender, de verdade, o que o levou à ilha, depois de deixar o seu país natal, os Estados Unidos, e a Europa, sobretudo a glamourosa Paris. Há algo nas biografias que foge ao nosso entendimento sobre o autor. Os seus silêncios, os medos, as prisões... Hemingway havia embarcado na ilusão dos trópicos, no hedonismo de uma ilha paradisíaca, cruzando o Caribe, a bordo do Pilar. Vivendo na companhia de intelectuais e pescadores, homens do mar".
                                                                                    Do livro "Havana me engana"
Foto: Roberto Nicolato

terça-feira, 20 de novembro de 2018