A isto se chama destino: estar em face do mundo, eternamente em face (Rilke)
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sábado, 26 de setembro de 2015

SOLIDÃO















 
A noite dorme
O sono das
Andorinhas.
 
Rimbaud
Dança o
Sabá na
Abissínia.
 
Murilo
Instaura
Um piano
No caos
 
Ouço na
Primavera
O canto
Do sabiá.
 
Estrangeiro
Nessa terra.
Nem Pessoa
vem me
visitar.
 
Corruíra
Morreu de
Inanição.
O leão,
De frio,
No Passeio
Público.
 
Os Invernos
Invadem os
Dias, noites,
O sol dos amores
Degela
Os corações.
 
De pedra
A estátua eterniza.
Na praça
o  homem está nu.
Rins pulsantes...
 
Na cara
Do Nosferatu
Venta a noite
Densa e fria.
 
Da janela
Abstraio
Absinto
Toda forma
de existir.
 
Quisera-me
Agora
 reunir
Os sinos.
Tocar a sorte,
 Um raio
De esperança
E, assim,
adiando
 planos
de morte.
Algum desejo...
 
É quando
Me entupo
De solidão.
Poema e foto: Roberto Nicolato

sábado, 4 de outubro de 2014

MURILO MENDES, UM POETA TRANSGRESSOR

         
          Recentemente visitei, em Juiz de Fora (MG), o Museu de Arte Murilo Mendes, que abriga obras do poeta mineiro, em diferentes edições, objetos pessoais, estudos críticos sobre o autor e a coleção de arte valiosa que a ele pertenceu . O prédio, onde funcionava a Reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora, instituição onde cursei Jornalismo, já algum tempo está sendo utilizado,  para guardar e divulgar o  legado do escritor. Um espaço digno da grandiosidade da obra de Murilo Mendes,  considerado um dos maiores poetas brasileiros. Da outra vez que fui ao Museu, ele ficava num a casa histórica, mas acanhada e sem condições para continuar abrigando o acervo.
        No ano em que se comemora 20 anos de criação do museu,  uma série de eventos está sendo realizada para homenagear o escritor mineiro. Confesso que conheci a poesia de Murilo tardiamente. Se Drummond foi meu poeta da juventude, o poeta de Juiz de Fora foi o da maturidade, com um dicção mais cosmopolita e visionária. Portanto, não pestanejei quando tive a oportunidade de escrever um artigo sobre meu poeta conterrâneo, um dos meus favoritos, num das disciplinas do mestrado em Estudos Literárias na UFPR. Uma cópia eu deixei no Museu, numa pasta onde há outros textos não publicados sobre o autor. Mas ele pode ser visto na internet. É só acessar link abaixo:
http://pt.slideshare.net/nicolato77/murilo-mendes-25362064
(Foto: acervo MAMM)